O Léo continua na Finlândia, mas o blog chegou ao fim. As postagens favoritas do autor estão aí para a memória dele e de quem tiver sem nada melhor pra fazer além de ler blog velho. :) Qualquer coisa, entra em contato por e-mail: lecczz@gmail.com.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Saudade, Identidade...e confusão.

Complicando e contradizendo momentos dos dois últimos posts.
Vantagens de se ter uma Wife inteligente, pensante e provocadora. :)

Durante as duas últimas semanas, eu participei de palestras, seminários e workshops na Universidade de Helsinki. Ontem foi a última quando apresentei o tema da minha pesquisa de doutorado pra uma mesa de doutorandos e um doutor belga especializado em sociologia da mídia e discurso. Eu tinha tudo para estar nervoso e preocupado. Se você leu meu antigo e extinto post "A ovelha e os lobos" sabe porque. Mas ao contrário, tudo correu bem. Desta vez, falei bem e fui convincente. Seguro. Não fui ovelha, falei de igual para igual com os lobos. Em menos de uma semana trabalhei nas minhas fraquezas e articulei melhor o que tinha a dizer. E o que tem isso a ver com os posts anteriores? Bem, é "simples": Eu não sou ovelha. Eu não sou lobo. Eu sou eu tentando dar conta de situações diferentes. Assim como o que eu faço por conta da saudade não me definem nem como brasileiro, nem como pessoa.


Ou seja, saudade não tem a ver com identidade como eu deixei escapar antes. O fato de eu ouvir música brasileira aqui na Finlândia e me sentir super-bem ou super-triste ou extravasar como eu fiz no Clube Brasil não definem a pessoa que eu sou, apenas as coisas das quais eu sinto falta. Um pedaço num tempo ido (vivido ou não) que me remetem a lembranças de outros tempos (que não existem mais nem pras pessoas que continuam lá no meu Brasil). Lembranças e só. Essas coisas me aliviam ao viver no novo, tiram um peso das costas e da mente. Mas no fim, minha vida vai continuar e minhas facetas vão se formando de acordo com o que vivo a cada dia, em situações diferentes. Essa confusão me deixa me perguntando com muita curiosidade: Por que eu misturei saudade com identidade?


Por que tive essa necessidade confusa, mesmo que momentânea, de confundir deliberadamente meus gostos com meu "eu"? Logo eu que sempre fui tão certo de mim, tão disposto a ir contra a todas as dificuldades de adaptação pra me adaptar. Logo eu que critico quem se prende ao passado com medo do presente, tão incerto quanto o futuro. Eu fiz o mesmo. Talvez tenha sido isso: Medo. Uma pontinha subconsciente de receio das incertezas do novo. Ou seria uma pontinha de cansaço por ter de lidar, constantemente, com o caos da vida onde somos indivíduos soltos tendo que forçadamente se adaptar à situações diferentes o tempo todo? Se aliviar a saudade é essencial pra reforçar o que somos (nossa identidade pessoal), será que estamos condenados a nunca sermos completamente nós mesmos em situações onde não podemos ter contato com o que consideramos essencial do nosso passado? Ou podemos nos descobrir muito mais se separarmos uma coisa da outra?


Eu, nesta sexta, pela manhã.
Já reparou que a imagem clássica de pessoa confusa equivale a seu rosto quando você olha pra si mesmo?
Coincidência????

domingo, 11 de outubro de 2009

Padarias do Brasil e da ... Finlândia? Hm...

Bom dia, tudo bom, Seu Adilson?
Me vê seis franceizinhos, trezentos gramas de queijo prato e um saco de leite, por favor.

O nome do padeiro e o resto da conversa depende de onde você mora. No meu caso, sempre que eu chegava na padaria da esquina, a compra dos ingredientes do café da manhã sempre durava, no mínimo, meia hora. Se falava de futebol, da vida alheia, das manchetes do jornal. Se conhecia o dono do estabelecimento pelo nome, assim como o dos seus funcionários. Aí, enquanto se esperava no balcão, vinha lá do fundo aquele cheirinho...hm...o pão ia ganhando forma na sua cabeça até que saía do forno e vinha na cesta ao som dos "inhos":

Fresquinho.

Moreninho.

Quentinho.

Hmmmm...

Bom, né? Pois é.

Fiquei pensando nisso hoje quando fui ao mercado e comprei uma bisnaga. Ali, entre a seção de queijos e a prateleira de produtos de farmácia. Depois dos enlatados.

Aqui na Finlândia não existem padarias como a gente tem no Brasil. Não pensem que finlandeses não comem pão. Pelo contrário, se adora pão nessa terra, principalmente o de centeio (ou ruisleipä, uma das paixões nacionais). Mas sejam estes pães escuros, ou os de fôrma, ou baguetes, todos estes são comprados na maioria das vezes no supermercado, mercados menores ou quiosques. Se quiser dar um gostinho clássico à coisa, você pode comprar seu pão em um dos Kauppahalli, como no de Helsinki (foto abaixo). Mas não é a mesma coisa...(sim, estou com o meu modo chorão ligado...rs)


"E o padeiro? Como sobrevivem os padeiros?", seu bom coração perguntaria.

A maioria provavelmente trabalhando nos fornos da Fazer, Pullapojat, Vaasan, Oululainen, entre outras empresas nacionais ou locais que distribuem os pães pra serem vendidos no mercado. Algumas destas têm padarias perto de suas fábricas (como a Oululainen em Lahti), onde você pode comprar seu pão favorito fresquinho. Mas é diferente das padarias do Brasil, onde você senta no balcão, pede uma média (café com leite) e um pão com queijo e bate papo enquanto espera, ou a caminho do trabalho.

Quanto mais tempo você fica longe de casa, mais falta das coisas pequenas do dia-a-dia a gente sente, né? Quem diria que um dia eu sentiria falta do Manuel da padaria. :) Eu disse que estava com meu modo chorão ligado...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Spring and the colours of Finland

"It has been so cold here. Oh, my... I am already wearing some coats. You see, yesterday, in the late afternoon, it was about 18 degrees!!"

I heard this from my father last Sunday (Mothers' Day). I laughed. What else to do? If only he had seen how people here are happy in these early spring days. It hasn't reached the 20ies yet, but who cares? In Finland, even if it is still a bit chilly, just the idea of spring is enough to change the moods and the landscapes.

The darker and heavier clothes are slowly disappearing. They will be stored for the next frozen season along with the little rocks the cities spread around during winter so people won't go slipping and breaking bones on the icy streets. Luckily, the loud vehicles that clean the snow will hibernate and disappear for a while as well. On the other hand, it is time the colours make their way back, which leads me to make a (reasonable or weird, make your pick) proposal.

Finland should have two national flags for the two distinct countries it is. The current one is about the lakes and the snow, where the white prevails in the imaginary of those who have never been to the land of the thousands of drinkable-water lakes. People abroad (especially from warmer and remote places like, say, Rio) generally think of Finland as a branch of the North Pole where polar bears and Santa Claus live their regular lives in the cold. Many are unaware of the other Finland. The colourful and cheerful one. The one you would never guess from Kimi Räikkonen's unexistent smiles.

In this moment, still in the first weeks of spring, there are flowers everywhere. On the t-shirts and dresses, around the lakes or by the rivers, lining up the walking tracks., on the concrete walls in the city centres...yes, you read well. Because if there is a place flowers don't grow, no probs: Finns bring them ready-made from some greenhouse and place them everywhere. It is interesting to see people decorating the public spaces as if it was their own houses. In Rio (Brazil?), it is usually said that when something is public it means it has no owner, so you can mess up as much as you please. Here most of the people feel responsible and care for it as if it was their own yard. Totally understandable since in the spring and summer, people spend much more time outside than in.

The sun rises and shines at about 5 am now. It only sets after 10 pm. In the summer, the day will be much longer while the darkness takes (gives us) a break and saves its energy for working double shift in the winter. Since people are aware that sunny days are counted, every break in the day is an opportunity to go out. Families make picnics in the parks; workers make sure to walk a bit on their lunch/coffee breaks; rollerblades and bikes are dusted, oiled and put back to functioning; Restaurants and bars set their terraces for us to have a delicious cold beer enjoying the breeze under the sun...yes, Finland definitely needs another flag.

There should be a national symbol which represents not only snow and water, but the bright smiles of the kids running free of their waterproof winter gear; or the sunburned skin of those who are so eager to be in the sun that forget about the problematic relation between the UV rays and their extremely pale skin; or the grass that has grown extremely fast to hide the dog crap disclosed after the snow melted...anyway, I think I have made my point.

Now, let me put my Puma shoes on! Gotta run, guys! Literally. There is no better way of enjoying the colours of Finland than going out and being part of them.

:) Nähdään!